Escrever bem

Introdução
Para quê escrever?
O que é escrever bem
Cuidados fundamentais a ter quando se escreve
Proposta de um método para escrever
Bibliografia


Introdução

Todos nós, de uma forma ou de outra, sentimos já a necessidade e o peso de ter que escrever uma carta, um relatório ou mesmo uma simples mensagem electrónica. Esta página serve para ajudar aqueles que se lançam na tarefa de tentar bem escrever os seus trabalhos.

Para quê escrever?

O texto escrito possui importância: é o elemento principal para trocar informação entre pessoas, para registo de elementos para posterior consulta, para divulgação de ideias. Se calhar tão importante, também é um auxiliar poderoso para a reflexão individual, garantindo uma projecção física (existência no papel ou no ecrã do computador) para os nossos pensamentos.

Escrever é assim um acto de comunicação e quanto melhor o fizermos melhor será a nossa capacidade de sermos compreendidos da forma que o pretendemos ser.

O que é escrever bem

Escrever bem está directamente relacionado com o conseguir passar a mensagem desejada para o leitor. Desta forma, para um texto escrito existe sempre um objectivo principal, e uma audiência que deve ser bem definida.

O objectivo principal do texto deve constituir a razão de ser do texto e o principal motivador, isto é, a lógica de escrita deve sempre obedecer a um princípio em que cada frase, cada parágrafo tem necessariamente de contribuir para o objectivo do texto pois, caso contrário, encontra-se a mais.

A audiência define os termos, o modo e mesmo a forma como o texto é escrito. A produção de um texto é realizada por um autor (ou por um número finito de autores) mas pode ser lido potencialmente por uma infinidade de leitores, ou não, que tendem a realizar a leitura tomando os seus próprios valores, a sua própria experiência e o ambiente que os rodeia para complementar a construção mental da informação escrita.

Cuidados fundamentais a ter quando se escreve

Que cuidados fundamentais? Existem textos com uma mesma extensão que se lêem uns mais rápida e facilmente que outros; porquê… naturalmente porque alguns destes são mais agradáveis à leitura e exigem menor esforço do leitor.

Um texto de frases curtas; palavras simples, contendo a maioria da informação para a sua compreensão e bem organizado parece constituir a matéria-prima dos textos que tenho lido e apreciado pela sua elegante construção.

Ora uma estrutura simples só é conseguida pelo domínio do tema a descrever, em conjugação com uma reflexão razoavelmente profunda do que se pretende escrever, incluindo o objectivo do texto e a respectiva audiência.

Parece pois razoável esperar que o acto de escrever seja entendido como um acto de paciência em que o elaborar do texto é apenas a parte visível do processo de escrita, que começa pela leitura de outros textos, pela reflexão sobre o tema de escrita e obviamente pelo tempo necessário à criação de uma visão própria do autor sobre o assunto.

Proposta de um método para escrever

A escrita de um texto, por mais simples que se suponha, será sempre consequência do modo como se lidou com restrições de tempo, dimensão do trabalho e informação disponível.

O método proposto baseia a construção de textos numa actividade dividida por três fases:

A primeira fase – a ideia e a estrutura – pode ser fornecida por terceiros (tanto a ideia como a ideia e a estrutura) e neste caso temos parte do trabalho realizado. Quando o projecto de criação parte da nossa parte, então aí é necessário definir concretamente o que se pretende escrever (mensagem), quem será o destinatário (leitor ou leitores) e como é apresentada essa mensagem (estrutura).

A estrutura deve servir a ideia e deve ser constituída após a escrita num papel dos principais pontos a introduzir. Com base no material obtido – ideia e frases de suporte – é possível esboçar uma primeira estrutura. Termina-se assim a primeira fase, que deve permitir o "descanso" do trabalho produzido de pelo menos um dia.

A segunda fase – documentação e criação do texto – é facilitada pelo trabalho desenvolvido na primeira fase. Sobre o tema escolhido é altamente provável que alguém tenha discutido o mesmo assunto; importa saber então quem, quando, porquê, com que argumentos, com que exemplos, com que provas, com que factos…

Com base nos elementos recolhidos é possível realizar a construção do texto, agregando o trabalho da primeira fase com o trabalho da segunda fase desenvolvido até ao momento.

A terceira fase – revisão e estabelecimento da unidade geral – inclui as tarefas que os processadores de texto tão bem sabem fazer, isto é, a verificação ortográfica, a paginação, a criação de uma tabela de conteúdos, a criação de índices, a proposta de palavras alternativas, a inclusão de elementos gráficos e de cor e o arranjo gráfico.

Paradoxalmente, apesar de os computadores possibilitarem a redução de tempo para revisão e arranjo gráfico do documento, é actualmente uma actividade que ocupa muito tempo caso não se faça uma utilização adequada dos processadores de texto. O tempo ganho desta forma pode ser investido para a leitura do texto desde o seu início até ao seu final de forma a detectar se a sequência de texto apresentada é correcta.

A garantia de um "fio condutor" de início ao fim, facilita a leitura do texto e torna claro o seu conteúdo, envolvendo o leitor nos argumentos e/ou trabalho realizado pelo autor.

Resta acrescentar que o método descrito exige um tempo mínimo para ser realizado e desta forma é inimigo das iniciativas do tipo "vou fazer o trabalho no dia seguinte", mas evita a entrega de textos onde erros de Português, frases não terminadas e estruturas pobres são uma constante

A estrutura de um texto pode conter os seguintes elementos:

Bibliografia

Bibliografia sobre guias de estilo e melhoramento de escrita:

BARRASS, R. Scientists Must Write, A Guide for Better Writing for Scientists, Engineers and Students. Chapman and Hall. London, 1978

HUCKIN, T. N. and OLSEN, L. A. English for Science and Technology, A Handbook for Nonnative Speakers. McGraw-Hill, New York, 1983


"Adapatado da página de autoria do Prof. Luís Manuel Borges Gouveia em http://www2.ufp.pt/~lmbg/textos/escreve.htm "